
Nem o calor abrasador que se fez sentir ontem conseguiu afastar centenas e centenas de curiosos do I Salão Erótico Internacional de Lisboa. Não que o ambiente no pavilhão 4 da FIL, no Parque das Nações, fosse mais refrescante que na rua, mas temperaturas altas por temperaturas altas, lá dentro sempre se regalava a vista e dava uso, muito uso, à imaginação.
Uma visita ao Salão Erótico pode satisfazer as mais remotas dúvidas de qualquer sociólogo ou estudioso do sexo. É que há tanto para ver e analisar que não é complicado sair de lá com um mestrado em questões relacionadas com este assunto. Um dos aspectos mais curiosos é reparar em quem por ali deambula, sendo impossível chegar a um visitante padrão. Claro que a maior parte são homens, relativamente jovens, que circulam em grupos e procuram ver, tocar e tirar fotos com strippers e estrelas porno, mas as mulheres também dão um ar da sua graça. Quase sempre acompanhadas dos maridos ou namorados, é certo, mas nem por isso menos interessadas em inspeccionar minuciosamente cada barraquinha. Depois há os outros, homens mais velhos, sozinhos e que marcam presença nas primeiras filas dos espectáculos ou nos stands de filmes porno.
A curiosidade parece ser mesmo o grande factor de motivação para os que ali se deslocam. Afinal, é a primeira vez que Portugal, um país relativamente fechado no que respeita a sexo, abre as portas a um evento do género, no qual o tema é tratado de forma tão aberta e liberal. Todos podem assistir aos espectáculos, experimentar produtos ou tirar dúvidas, pondo de lado preconceitos e pudores.
show time. No palco principal do Salão duas actrizes em trajes mínimos, Vivi e Samantha, faziam a preparação para mais um show lésbico. Entre alongamentos provocantes e piruetas a roçar o ridículo muito mais do que o sensual, as duas mulheres lá iam tentando aquecer os poucos que se concentravam junto ao palco. «Isto é mais giro que jogar basebol», gritava Samantha ao microfone, enquanto esperava que a produção desse com a música certa. «Elas precisam de sexo de manhã, à tarde e à noite», garantia uma voz-off masculina.
















































